O ronco silencioso das bicicletas preenche cada vez mais as vias urbanas e as trilhas pelo país, desenhando um novo contorno no panorama da mobilidade e do lazer. Para alguém que sempre preferiu a firmeza do solo sob os pés, numa caminhada ou nas escalaminhadas que exigem até o quinto apoio, admito que o universo ciclista era uma dimensão distante. Contudo, a inegável explosão da cultura das duas rodas, que tem redesenhado cidades e conquistado espaços na natureza, impõe uma nova mirada, resgatando um lugar que o esporte, por vezes, perdeu nas páginas do jornal.

Nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, mergulhamos nesse cenário e tivemos a oportunidade de conversar com uma das figuras mais emblemáticas e ativas do ciclismo no Brasil, Renata Falzoni. Arquiteta, jornalista e documentarista, Falzoni é mais do que uma entusiasta; ela é uma voz incansável na luta por cidades mais cicláveis, pela segurança dos ciclistas e pela valorização da bicicleta como ferramenta de transformação social e individual. Sua influência transcende fronteiras, solidificando sua reputação como uma das maiores ativistas do mundo de duas rodas no país, senão no globo.

Em nosso diálogo, Falzoni não hesitou em enfatizar que a ascensão da bicicleta não é uma moda passageira, mas uma resposta concreta aos desafios da vida moderna. “As pessoas estão redescobrindo a liberdade e a eficiência da bicicleta. Não é apenas um meio de transporte, mas uma forma de se reconectar com a cidade, com a natureza e com o próprio corpo”, defendeu, com a paixão que lhe é característica. Ela abordou a urgência de infraestruturas adequadas, o respeito mútuo no trânsito e a necessidade de políticas públicas que realmente incentivem o uso da bicicleta, tanto para o deslocamento diário quanto para o cicloturismo, que tem visto um crescimento exponencial como forma de explorar o Brasil de maneira sustentável e imersiva.

A arquiteta destacou ainda que a bicicleta democratiza o espaço, ensina paciência e oferece uma perspectiva única do mundo ao redor, aspectos que frequentemente são obscurecidos pela velocidade da vida moderna. “É um convite à observação, à desaceleração e à redescoberta de detalhes que passam despercebidos dentro de um carro ou ônibus. E, para quem busca aventura, as trilhas abrem um universo de possibilidades”, complementou, evidenciando a dualidade entre o pragmatismo urbano e a liberdade exploratória que a bicicleta oferece.

Para alguém que, como este escriba, jamais dominou o equilíbrio sobre duas rodas, a conversa com Renata Falzoni foi mais do que um aprendizado sobre o universo ciclista. Foi um convite a olhar de outra forma para a cidade, para a trilha, e talvez, para a própria capacidade de superar um antigo impedimento, compreendendo que o pedal é mais do que movimento; é uma filosofia de vida que se expande por todos os cantos.

Por Marcos Puntel

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