São Paulo, Brasil – Esperas intermináveis no check-in, piscinas e playgrounds lotados, longas filas diante dos bufês – essas cenas, comuns em resorts de grandes proporções, aqueles com algumas centenas de quartos, estão virando passado entre as principais redes hoteleiras do setor. A busca por um novo padrão de excelência e a crescente demanda por experiências personalizadas estão impulsionando uma revolução silenciosa, mas profunda, na hospitalidade de lazer.
O modelo de “tudo incluso e para todos”, que por décadas foi sinônimo de férias sem preocupações, começou a mostrar sinais de desgaste. A aglomeração excessiva não apenas comprometia o conforto dos hóspedes, mas também diluía a sensação de exclusividade e relaxamento que se espera de um destino de férias. “Percebemos que o cliente moderno não quer apenas um lugar para dormir e comer; ele busca um refúgio, um espaço onde a tranquilidade e a conveniência sejam a regra, não a exceção”, afirma Ana Carolina Mendes, CEO de uma renomada consultoria hoteleira, em análise sobre o cenário atual.
Em resposta a essa mudança de paradigma, as grandes redes estão investindo pesado em soluções inovadoras. Uma das abordagens mais visíveis é a descentralização de serviços e a reconfiguração dos espaços. Em vez de uma única área de lazer massiva, novos projetos e reformas apostam em múltiplos núcleos de piscinas, restaurantes e atividades, cada um com sua atmosfera e público-alvo, permitindo uma distribuição mais fluida dos hóspedes e minimizando a percepção de lotação. A arquitetura e o design de interiores são agora pensados para criar ambientes mais íntimos e acolhedores, mesmo em propriedades de grande escala.
A tecnologia emerge como uma aliada fundamental. Check-ins digitais prévios, aplicativos que permitem agendamento de atividades, reservas em restaurantes e até mesmo solicitações de serviço de quarto com poucos cliques estão se tornando padrão. “O objetivo é empoderar o hóspede, dando-lhe controle sobre sua estadia e eliminando atritos desnecessários”, explica Carlos Toledo, diretor de operações de uma das maiores redes de resorts do país. Ele destaca que o investimento em plataformas robustas não só melhora a experiência do cliente, mas também otimiza a gestão interna e a alocação de pessoal, resultando em um serviço mais eficiente e menos estressante para todos.
Outra tendência é a criação de “bolhas” de exclusividade dentro de grandes empreendimentos. Resorts que antes ofereciam apenas um tipo de acomodação agora segmentam suas ofertas, introduzindo alas VIPs, villas privativas com piscinas exclusivas ou até mesmo serviços de concierge dedicados, elevando o patamar de luxo e privacidade para quem busca uma experiência diferenciada, mesmo dentro de uma propriedade maior. Essa estratégia permite atender a diversos perfis de hóspedes sob o mesmo teto, sem que a qualidade da experiência seja comprometida.
A mudança não é apenas estrutural, mas também cultural. Há um esforço concentrado em treinar equipes para um atendimento mais proativo e personalizado, antecipando as necessidades dos hóspedes e criando momentos memoráveis. A meta é transformar a estadia em uma sequência de pequenas surpresas agradáveis, longe do estresse e da impessoalidade que antes marcavam os grandes volumes de atendimento.
O setor hoteleiro de lazer está, portanto, em plena metamorfose. Longe de abandonar os grandes formatos que garantem escala e variedade, as redes buscam reinventá-los, provando que é possível combinar volume com exclusividade, eficiência com intimidade. Para o viajante, a promessa é de um futuro onde as férias em resorts sejam sinônimo de relaxamento genuíno, livre das outrora inevitáveis agruras da multidão.
Por Marcos Puntel
(08/27/2026 – 08h00)
Fonte: https://redir.folha.com.br