Mulheres em situação de violência e mães atípicas de todo o país agora contam com teleatendimento psicológico gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa disponibilizará até 100 mil consultas por mês, marcando um avanço significativo no suporte à saúde mental feminina.

O serviço abrange mulheres com 18 anos ou mais que vivenciam situações de violência física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral. Além disso, a assistência por videochamada é estendida àquelas com sobrecarga de cuidado não remunerado, como mães e cuidadoras de pessoas com deficiência (PCD), de familiares neurodivergentes ou com doenças raras. A criação deste canal responde a uma demanda urgente por proteção e suporte, em um cenário onde medidas protetivas para mulheres no estado do Rio de Janeiro, por exemplo, registraram um aumento de 43%, e a sociedade continua a enfrentar a violência de gênero, evidenciada por condenações como a de um homem a 24 anos de prisão pela morte de uma mulher trans.

O objetivo central do atendimento psicológico remoto é oferecer um espaço seguro e sem julgamentos, onde as pacientes possam compreender a situação vivida e construir estratégias eficazes de proteção, cuidado e bem-estar. O teleatendimento integra a ação “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”, fruto de uma parceria entre o Ministério da Saúde e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

O acesso ao serviço gratuito é facilitado por meio do aplicativo “Acolhe Mais”, disponível na página inicial do Meu SUS Digital ou diretamente pelo site. Para utilizá-lo, é necessário fazer o login com a senha da plataforma Gov.br. Um diferencial importante é a ausência de burocracia: não é exigido encaminhamento prévio por outra unidade pública de saúde, nem a apresentação de qualquer documento que comprove a situação de violência, vulnerabilidade ou a condição de cuidadora sem remuneração.

Para iniciar o procedimento, a mulher interessada deve fazer o cadastro, preencher um formulário online e responder às perguntas do acolhimento digital. Após o envio da solicitação de teleatendimento psicológico, a equipe de profissionais realizará a avaliação das informações, e o retorno à paciente deverá ocorrer em até 24 horas. Feito o agendamento, a usuária receberá a confirmação da consulta, orientações detalhadas, lembretes e o link para a videochamada. Os atendimentos são realizados de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, no horário de Brasília, e aos sábados, das 8h às 14h.

As sessões de teleatendimento psicológico têm duração mínima de 50 minutos. A jornada de acompanhamento prevê um acolhimento inicial e o suporte psicológico contínuo, com ciclos de até 10 sessões e possibilidade de renovação quando houver necessidade. A proposta visa à construção de um vínculo terapêutico, garantindo que a mesma psicóloga acompanhe a usuária ao longo de todo o processo.

Em situações de risco imediato de violência ou violência consumada, a vítima ou qualquer pessoa que tenha conhecimento da situação deve ligar imediatamente para o telefone de emergência da Polícia Militar de sua localidade, no número 190, ou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), número 192. A rede de proteção também conta com a Central de Atendimento à Mulher, disque 180, que oferece suporte gratuito e funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive nos feriados.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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