Em um dia de notável alívio para os investidores, o dólar comercial registrou nesta sexta-feira seu menor valor de fechamento em pouco mais de dez dias, ao passo que a bolsa brasileira encerrou a semana no campo positivo, com alta de quase 2%. O movimento no mercado doméstico foi impulsionado por um enfraquecimento generalizado da moeda estadunidense no exterior, pela expectativa em torno do cenário eleitoral brasileiro e por um renovado apetite global por ativos de risco. No cenário internacional, o mercado de petróleo viu o barril do tipo Brent fechar acima de US$ 94, sob a pressão contínua das tensões no Oriente Médio.

A moeda estadunidense à vista recuou 1% nesta sexta-feira, negociada a R$ 5,142, após ter tocado R$ 5,13 durante a tarde. Este patamar marca o menor nível de fechamento do dólar desde 10 de agosto. Ao longo da semana, a divisa acumulou uma queda de 1,53%. Tal performance foi fortemente influenciada pelo comportamento do dólar no exterior, que atingiu seu menor nível em três meses diante das expectativas em torno das operações de recompra de títulos de longo prazo pelo Tesouro dos Estados Unidos. O índice DXY, que monitora a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, situava-se próximo dos 98,856 pontos ao final da tarde, com uma queda acumulada de cerca de 0,80% na semana. A perspectiva de maior liquidez no mercado de títulos públicos estadunidenses contribuiu para aliviar a pressão sobre o dólar, beneficiando moedas de países emergentes como o real brasileiro, que esteve entre as divisas de melhor desempenho no dia, ao lado do peso chileno. O euro, por sua vez, alcançou seu maior valor desde maio, enquanto a libra esterlina atingiu o nível mais alto desde fevereiro.

Paralelamente, o Ibovespa, principal índice da B3, fechou em alta de 1,85%, alcançando 171.031,73 pontos e registrando seu terceiro avanço consecutivo. Este é o maior nível do índice desde 10 de agosto, consolidando uma alta de 2,45% na semana. Apesar da recuperação recente, o índice ainda mostra uma queda de 3,91% no mês. A valorização foi sustentada, em parte, pelo bom desempenho das ações de bancos, enquanto o fluxo de recursos estrangeiros permaneceu no radar dos investidores, mesmo com dados da B3 indicando uma saída líquida de R$ 22 bilhões em capital estrangeiro da bolsa brasileira em agosto, até o dia 19. A recuperação do índice é um sinal de alívio após uma sequência de fortes perdas observadas no início do mês.

No setor de commodities, o petróleo encerrou a sexta-feira em alta, acumulando uma forte valorização semanal. O barril do tipo Brent, referência internacional, avançou 0,65% (US$ 0,61), negociado a US$ 94,39, e registrou um acúmulo de 6,6% de alta na semana. O barril WTI, do Texas, subiu 0,26% (US$ 0,23), fechando a US$ 87,06, com valorização semanal de 5,6%. Essa alta é atribuída à continuidade das tensões entre Estados Unidos e Irã e às incertezas sobre o transporte de cargas pelo Estreito de Ormuz. As autoridades estadunidenses, inclusive, reiteraram a intenção de impor “as sanções mais severas da história” ao Irã, um fator que agrava a percepção de risco para a oferta. O transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz permanece abaixo dos níveis pré-conflito, e o tráfego de petroleiros também enfrenta restrições no Mar Vermelho. A paralisação das negociações entre Estados Unidos e Irã mantém no mercado o temor de novos impactos sobre a oferta e o transporte internacional de petróleo.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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