A estratégia de muitos que hoje detêm o poder tem sido clara: apostar na efemeridade da memória coletiva. Ao diluir os fatos passados no tempo, busca-se não apenas exonerar culpas, mas também pavimentar o caminho para a repetição de práticas que, um dia, foram duramente condenadas. É um cálculo frio, que se baseia na premissa de que o eleitor, sobrecarregado por novas manchetes e desafios diários, esquecerá os pormenores que levaram a crises e escândalos. Manter a “máquina” funcionando, ainda que sob os mesmos vícios de outrora, parece ser a meta, isenta de escrutínio e de lições aprendidas.
Nesse cenário, a história recente da Petrobras emerge como o campo de batalha central dessa disputa entre o esquecimento e a recordação. A Petrobras que se tenta apagar da mente do eleitor não é uma abstração; é a estatal que viveu o epicentro de uma crise de integridade sem precedentes, revelada pela Operação Lava Jato. Foram anos de escândalos de corrupção sistêmica, aparelhamento político e desvios bilionários que não apenas macularam a imagem de uma das maiores empresas do país, mas também drenaram recursos públicos que poderiam ter sido investidos em saúde, educação e infraestrutura. Os prejuízos não foram apenas financeiros; abalaram a credibilidade da instituição e do próprio sistema político brasileiro, gerando uma profunda desconfiança na população.
Os que hoje pedem que viremos a página, ou que minimizemos a gravidade do que aconteceu, o fazem com a intenção de reescrever a narrativa, de apagar as sombras e reconstruir uma imagem imaculada sobre os escombros de uma verdade incômoda. Querem que nos esqueçamos da interferência política nefasta, da indicação de diretores sem mérito técnico, dos esquemas de propina que enriqueceram alguns às custas de todos. Mas é exatamente essa Petrobras, a que Lula e seus aliados talvez queiram que você esqueça, que precisamos continuar lembrando. É a lembrança dos erros e das falhas que serve como baliza para exigir transparência e governança rigorosa no presente e no futuro.
Diante dessa ofensiva do esquecimento, a responsabilidade de manter viva a memória recai sobre a sociedade civil, sobre a imprensa independente e, sobretudo, sobre cada cidadão. É por meio dessa vigilância ativa que se pode exigir prestação de contas, fiscalizar a gestão pública e garantir que erros do passado não sejam meramente reciclados como novas promessas. Ignorar essa história é abrir mão de um pilar fundamental da democracia: a capacidade de aprender com os próprios erros. Lembrar a Petrobras de outrora não é revanchismo, mas um ato de defesa do futuro. É a salvaguarda contra a manipulação e a garantia de que o patrimônio público seja gerido com a seriedade e a transparência que a nação merece.
Por Marcos Puntel