Com o prazo de janeiro de 2027 se aproximando, empresas brasileiras intensificam seus esforços para adaptar sistemas e processos às novas exigências da reforma tributária, que instituirá o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS). A corrida contra o tempo visa garantir a conformidade e evitar um impacto significativo nas operações financeiras e contábeis.

A complexidade da transição é um dos maiores desafios, pois a reforma não se limita a uma mera alteração de alíquotas. Ela implica uma reestruturação profunda nas plataformas de tecnologia da informação (TI), nos fluxos de trabalho e na capacitação das equipes. Os novos tributos substituirão um emaranhado de cinco impostos atuais – PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS – por um modelo de imposto sobre valor adicionado, demandando uma compreensão e implementação completamente novas.

“Não se trata apenas de software, mas de uma nova mentalidade tributária que permeia toda a cadeia de valor da empresa”, comenta Ana Paula Silveira, diretora de consultoria fiscal de uma das principais auditorias do país. “Empresas que subestimarem o tempo e o investimento necessários para essa adaptação correm o risco de enfrentar gargalos operacionais e penalidades severas.”

Setores com cadeias produtivas extensas, como a indústria e o varejo, são particularmente afetados, exigindo investimentos substanciais em sistemas de gestão fiscal e na revisão de contratos com fornecedores e clientes para se adequarem às novas regras de crédito e débito tributário. Embora a reforma preveja um longo período de transição até 2032, a exigência de que os sistemas estejam operacionais com o novo modelo já em 2027 impõe uma urgência considerável para o empresariado nacional.

Muitas organizações já iniciaram o mapeamento de seus processos internos e a busca por soluções tecnológicas, em uma demonstração da gravidade do desafio imposto pela maior reforma tributária das últimas décadas no Brasil.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br

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