Rio de Janeiro – Apesar de representarem a maioria da força de trabalho no mercado brasileiro de seguros e previdência privada aberta, as mulheres ainda enfrentam significativa sub-representação nos postos de comando e como consumidoras de produtos do setor. É o que aponta a primeira edição da pesquisa FeMa Meter, divulgada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão regulador do segmento.
O levantamento, que reúne informações de 142 empresas supervisionadas pela autarquia – sendo 129 seguradoras e 13 entidades abertas de previdência complementar –, mapeou a participação feminina tanto como profissionais quanto como clientes. Os dados, referentes a 31 de dezembro de 2024, servirão de subsídio para a formulação de políticas públicas focadas na inclusão no mercado securitário.
Os resultados mostram que as mulheres compõem 54,4% da força de trabalho nas empresas participantes. Contudo, essa presença se dilui drasticamente nos níveis hierárquicos superiores: elas ocupam apenas 28,5% dos cargos de gestão executiva e meros 18,5% das vagas em conselhos de administração. A pesquisa evidencia um claro desequilíbrio entre a participação feminina na base da pirâmide organizacional e o acesso a posições estratégicas de liderança.
Além da disparidade na gestão, o estudo identificou que a participação feminina como titular de seguros e de planos de previdência privada aberta é inferior à dos homens nos segmentos analisados. A Susep destaca a importância de compreender esse comportamento para ampliar a inclusão securitária e desenvolver produtos mais alinhados ao perfil e às necessidades das consumidoras.
A pesquisa utilizou a ferramenta FeMa Meter, desenvolvida pela Access to Insurance Initiative, uma organização internacional sem fins lucrativos dedicada à promoção da inclusão em seguros, especialmente em mercados emergentes. As informações foram complementadas por planilhas da Susep para coleta de dados adicionais sobre seguros de automóveis, residenciais e previdência privada aberta, passando por etapas de validação antes da consolidação.
Integrando o Plano de Regulação da Susep para 2025, o estudo busca ampliar o conhecimento sobre a participação feminina no setor, visando construir um mercado mais equitativo tanto para as profissionais quanto para os consumidores. O relatório completo da pesquisa está disponível para consulta no portal da autarquia.
Por Marcos Puntel