Curitiba, – Um levantamento exclusivo da Gazeta do Povo, com dados atualizados até julho de 2026, revela que os carros elétricos apresentaram uma desvalorização média significativamente maior em comparação com os veículos a combustão no mercado brasileiro. A análise aprofundada aponta para tendências preocupantes para os proprietários de veículos movidos a bateria, impactando diretamente o poder de revenda e o custo total de propriedade.
Segundo o estudo, a média de desvalorização dos carros elétricos atingiu 18,5% no primeiro ano de uso, enquanto os veículos tradicionais a combustão registraram uma média de 11,2% no mesmo período. Essa disparidade sublinha os desafios que a eletrificação enfrenta na manutenção do valor residual, mesmo em um cenário de crescente interesse por tecnologias sustentáveis. Fatores como a rápida evolução tecnológica dos modelos elétricos, que pode tornar versões anteriores “datadas” mais rapidamente, e as incertezas em relação à vida útil e custo de substituição das baterias são apontados como os principais impulsionadores dessa diferença.
Para Ana Lúcia Almeida, analista sênior de mercado automotivo e colaboradora da pesquisa, a situação reflete uma fase de amadurecimento. “O mercado de usados ainda está aprendendo a precificar o carro elétrico. Há uma curva de aprendizado, tanto para os lojistas quanto para os consumidores. Além disso, a chegada constante de novos modelos com maior autonomia, menor tempo de recarga e novas funcionalidades desvaloriza rapidamente os modelos anteriores, tornando-os menos atrativos no mercado de seminovos”, explica Almeida.
O levantamento da Gazeta do Povo observou que a desvalorização é mais acentuada em modelos elétricos de entrada e intermediários, que sentem mais a concorrência de novas tecnologias e a variação cambial para peças importadas. Carros de combustão, por sua vez, mantêm uma resiliência maior, especialmente modelos com alta liquidez e baixo custo de manutenção percebido, consolidando a preferência do consumidor que busca segurança financeira na revenda.
Representantes do setor de veículos seminovos confirmam a tendência. “Recebemos muitos elétricos com um ano de uso e a expectativa de valor de revenda do cliente está bem acima do que o mercado está disposto a pagar”, comenta Carlos Eduardo Silva, presidente da Associação de Revendedores de Veículos Usados do Paraná. “O público ainda tem receio sobre a autonomia real após alguns anos, o custo de reparos especializados e, principalmente, a capacidade de encontrar peças e mão de obra qualificadas fora das concessionárias autorizadas.”
A disparidade na desvalorização levanta um alerta para consumidores que ponderam a aquisição de um carro elétrico, sugerindo que o custo total de propriedade pode ser mais elevado do que o inicialmente previsto. Para as montadoras, o desafio é encontrar um equilíbrio entre inovação constante e a manutenção do valor residual, buscando estratégias para mitigar essa perda, seja através de garantias estendidas para baterias ou programas de recompra. O mercado de carros elétricos ainda é jovem no Brasil, e a tendência pode ser revista à medida que a infraestrutura de carregamento se expande, a oferta de modelos se diversifica e os custos de bateria diminuem, mas os dados de julho de 2026 indicam um cenário atual de maior cautela para o valor de revenda.
Por Marcos Puntel