Juara (MT) – Uma mulher, presa preventivamente e que havia confessado a morte da própria filha de 1 ano e 8 meses, foi encontrada morta na cela da Delegacia de Polícia Civil de Juara, a 300 km de Sinop, nesta quinta-feira (28). A informação foi confirmada pelo delegado Carlos Henrique Engelmann, indicando que a detenta tirou a própria vida por enforcamento, utilizando um cobertor.

O caso veio à tona após o Poder Judiciário acionar a Polícia Civil. A ação teve início durante a tramitação de um processo de prestação de alimentos e regulamentação de visitas, movido pelo pai da criança. Segundo o delegado, foi constatado que a menina não era vista há aproximadamente dois anos. “A Polícia Judiciária Civil foi acionada pelo Poder Judiciário, que nos oficiou, contando uma história de que em um determinado processo, onde havia uma ação de prestação de alimentos movida por um homem que buscava não só prestar os alimentos para a filha, mas também o direito de visitação, a criança, fruto da união, não se encontrava na comarca há cerca de dois anos. Ao ser questionada, essa mulher e todos os seus familiares não souberam dar conta da criança. Então, a polícia foi acionada e nós instauramos um procedimento investigativo”, explicou Engelmann.

Durante as investigações, a mulher compareceu espontaneamente à delegacia. Inicialmente, ela apresentou uma versão de que teria entregue a criança para uma desconhecida residente em Campinas (SP) em janeiro de 2024. Contudo, essa versão foi rapidamente descartada pelos investigadores. “Com os detalhes que ela nos passou, em verificação rápida, pudemos constatar que não havia subsistência na versão que ela apresentava”, afirmou o delegado.

Na sequência dos interrogatórios, já na presença de um advogado, a investigada confessou que havia enterrado o corpo da filha em uma cova rasa nos fundos do sítio onde morava. Posteriormente, ela revelou ter assassinado a criança por asfixia, utilizando um saco plástico preto. “Ela terminou por confessar, primeiramente, que teria inumado o corpo dessa criança, em uma cova rasa, aos fundos do sítio em que ela morava com a família, aqui na cidade de Juara. E, durante o interrogatório formal, a que se submeteu, em meio a volumoso pranto, também confessou que, previamente ao enterro da criança naquele local, ela teria assassinado, por meio de asfixia, com um saco plástico, detalhando, inclusive, que a cor do saco era preta”, detalhou Engelmann.

Desde a última quarta-feira, equipes da Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Politec têm realizado escavações na área indicada pela investigada. No entanto, até o momento, o corpo da criança ainda não foi localizado. As dificuldades são impostas pela imprecisão do local apontado pela mulher, que forneceu alternativas e alegou não se recordar bem, além do terreno ser pantanoso e em meio à mata.

A Polícia Civil havia representado pela prisão preventiva da investigada, medida que foi decretada pela Justiça após manifestação favorável do Ministério Público. Horas após ser detida, a mulher foi encontrada sem vida em sua cela.

Questionado sobre a possível motivação do crime, o delegado Engelmann afirmou que, durante os depoimentos, a mulher apresentou versões diferentes, mas os investigadores acreditam que o assassinato possa ter sido motivado por um sentimento de vingança contra o pai da criança, devido a supostas traições. “Ela teve essa criança com o pai e teria constatado algumas traições por parte dele, e eu acredito que esse motivo a alimentou um determinado sentimento negativo que culminou em que ela, por assim dizer, tirou a vida da criança para punir o pai, é o que nós entendemos. Em outros momentos, ela fala que não tinha condições de criar essa criança. Em outros momentos, ainda, ela fala que poderia doar a criança”, explicou.

O delegado também relatou que a investigada apresentava comportamento considerado incomum durante as entrevistas, divagando com facilidade sobre condutas “horripilantes” e se atendo a pequenos detalhes, como a cor do saco plástico, mas recusando-se a enterrar a criança nele. Esse comportamento motivaria um exame de sanidade mental, que infelizmente não poderá mais ser realizado.

Por fim, Carlos Henrique Engelmann fez um apelo para que desaparecimentos de crianças sejam comunicados imediatamente às autoridades, destacando a tristeza do caso e a importância da rápida comunicação para a resolução de situações semelhantes.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.sonoticias.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *