A bolsa brasileira encerrou a semana em alta, com o Ibovespa superando a marca de 174 mil pontos pela primeira vez em um mês. O dólar, por sua vez, registrou queda, retornando ao patamar de R$ 5,16. O movimento dos mercados nesta sexta-feira foi fortemente influenciado pela divulgação de uma produção industrial mais fraca em maio, que intensificou as expectativas de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom). A liquidez da sessão foi reduzida devido ao feriado da Independência dos Estados Unidos, que manteve os mercados norte-americanos fechados.
O principal índice da B3, o Ibovespa, fechou em 174.070,27 pontos, um avanço de 0,74%, marcando o maior fechamento desde 2 de junho. Na semana, o índice acumulou um ganho de 0,45%, elevando seu avanço no ano para 8,03%. O giro financeiro totalizou R$ 12,6 bilhões, valor consideravelmente abaixo da média diária, refletindo a ausência de Wall Street nas negociações. O dólar comercial recuou R$ 0,04 (0,76%), sendo cotado a R$ 5,168. A moeda brasileira praticamente anulou a alta acumulada na semana, registrando uma variação positiva de apenas 0,03%, beneficiada pelo ambiente favorável às moedas de países emergentes e pelo aumento do interesse em ativos brasileiros. No acumulado do ano, o dólar exibe queda de 5,83% frente ao real.
O ímpeto positivo para a Bolsa de Valores surgiu após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelar que a produção industrial teve uma retração de 0,2% em maio na comparação com abril, um resultado que ficou aquém das projeções do mercado. Esse dado reforçou a percepção de desaceleração da atividade econômica e impulsionou as apostas de que o Banco Central poderá iniciar um ciclo de flexibilização monetária já na próxima reunião do Copom. A consequente queda dos juros futuros favoreceu, em especial, as ações de empresas mais sensíveis ao custo do crédito, antevendo uma potencial melhora nos resultados corporativos e tornando os preços das ações mais atrativos.
No cenário cambial, o real seguiu a tendência de fortalecimento das moedas emergentes em face de um dólar mais enfraquecido no exterior. Além da expectativa de corte da Selic, os investidores também absorveram os dados menos robustos do mercado de trabalho dos Estados Unidos, divulgados na véspera, que diminuíram as projeções de uma política monetária mais restritiva por parte do Federal Reserve. O índice DXY, que acompanha o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, operou com pouca variação ao longo da sessão, com o mercado agora focado nos próximos indicadores de inflação norte-americanos.
A significativa redução no volume de negociações, impulsionada pelo feriado de 4 de julho nos Estados Unidos – que fechou bolsas e o mercado de títulos do Tesouro estadunidense –, limitou a formação de tendências mais consistentes. Internamente, a sinalização do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, sobre a possibilidade de novas intervenções do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos, também contribuiu para a redução dos juros no mercado futuro, criando um ambiente mais propício para o avanço da bolsa de valores.
Por Marcos Puntel