A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira, a segunda fase da Operação Golden, com o objetivo central de desarticular o núcleo financeiro de uma facção criminosa envolvida em tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de capitais. As ações resultaram no cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão domiciliar, oito bloqueios de contas bancárias e ativos financeiros, totalizando o limite de R$ 283,5 mil, além de uma medida cautelar diversa da prisão.
As ordens judiciais estão sendo cumpridas em Várzea Grande, Pontes e Lacerda e Tangará da Serra, no estado de Mato Grosso, e também em Itabela, na Bahia. Entre os alvos da operação, destacam-se informações sobre um detento que já se encontra preso em São Paulo, em decorrência de um mandado de prisão expedido pela Justiça de Mato Grosso. O investigado possui uma extensa ficha criminal no estado, com registros de envolvimento em tráfico de drogas e homicídio, entre outros crimes.
Esta nova etapa dá continuidade às investigações iniciadas em 13 de março do ano passado, quando a primeira fase da Operação Golden foi deflagrada. Naquela ocasião, 18 ordens judiciais foram cumpridas, incluindo mandados de busca e apreensão, prisões preventivas e bloqueios patrimoniais contra indivíduos investigados pelos mesmos crimes.
As investigações da Delegacia Especializada de Repressão a Entorpecentes (Denarc) tiveram início após a prisão em flagrante de um casal envolvido com o tráfico de drogas. Com o avanço das diligências, foi possível identificar que os integrantes do grupo criminoso utilizavam contas bancárias de terceiros e um estabelecimento comercial para ocultar e movimentar valores provenientes da comercialização de entorpecentes.
Em continuidade aos trabalhos da primeira fase, foram apreendidos mais de R$ 692 mil em espécie e R$ 222 mil em cheques, valores encontrados durante buscas realizadas na cidade de Cáceres, além do bloqueio de grande quantidade de valores nas contas dos investigados. As investigações prosseguiram e permitiram aos investigadores identificar novos integrantes da facção criminosa e ampliar o mapeamento da estrutura financeira utilizada para a movimentação dos recursos ilícitos.
Os elementos obtidos também possibilitaram a realização de uma investigação financeira aprofundada, que identificou movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada dos investigados e a utilização de uma empresa de fachada. Segundo os levantamentos, uma empresa constituída em nome de um dos investigados, sem histórico empresarial relevante e com renda declarada modesta, movimentou mais de R$ 600 mil em apenas dois meses, sem lastro econômico compatível para gerar tal montante.
A investigação identificou ainda transferências financeiras entre pessoas apontadas como integrantes do grupo criminoso, incluindo suspeitos com antecedentes por tráfico de drogas e participação em facções. Segundo o delegado André Rigonato, responsável pelas investigações, foram identificados repasses para a empresa que apresentou indícios de funcionamento incompatíveis com a atividade declarada, circunstâncias que reforçaram a hipótese investigativa de utilização de pessoas físicas e jurídicas para ocultação e dissimulação de recursos provenientes do tráfico de drogas.
As investigações seguem em andamento, podendo resultar na identificação de novos envolvidos e na adoção de outras medidas judiciais.
Por Marcos Puntel