As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram queda de 14% em maio deste ano, na comparação com o mesmo mês de 2025, conforme divulgou nesta quarta-feira (3) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O recuo, que levou o volume exportado a US$ 3,09 bilhões, marca uma continuidade da tendência observada desde agosto do ano passado, quando entraram em vigor as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.
Apesar da persistência na retração, Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, ressalta que os números ainda não são suficientes para cravar uma mudança estrutural na relação comercial entre os dois países. “É cedo para falar de mudança estrutural. Fluxos no comércio exterior levam tempo para se adaptar, depende muito da composição da pauta, tem bens sob encomenda que sofrem choque maior, mas commodities e alimentos não, como é o caso de grande parte do perfil da pauta com Estados Unidos, com petróleo, celulose, combustível, carne, café”, explicou Brandão. Ele acrescentou que, embora haja um momento de aumento de custo que possa causar retração, a retomada pode ser rápida.
O ritmo de queda nas exportações para os Estados Unidos, aliás, tem mostrado sinais de arrefecimento nos últimos meses. Brandão destacou que a maior queda foi registrada em outubro do ano passado, com 35%, seguida por uma redução de 26% em janeiro deste ano. A partir daí, o declínio se mostrou menos acentuado: 20% em fevereiro, 10% em março, 10% em abril e os atuais 14% em maio.
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Mdic indicam que o comércio bilateral perdeu força de maneira mais ampla no último mês. Enquanto as exportações para os EUA caíram 14%, as importações dos EUA também diminuíram 11%, somando US$ 3,21 bilhões. Esse cenário resultou em um déficit comercial de US$ 121 milhões para o Brasil em maio. No acumulado de janeiro a maio, as exportações para os Estados Unidos totalizaram US$ 14,01 bilhões, uma queda de 16%, e as importações atingiram US$ 15,48 bilhões, recuando 12,6%, gerando um déficit comercial acumulado de US$ 1,47 bilhão. A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras diminuiu de 12% em maio de 2025 para 9,7% em maio deste ano.
Em contraste com a retração no mercado americano, a China ampliou sua posição como principal destino das exportações brasileiras. Em maio, as vendas para o país asiático cresceram 9,5%, alcançando US$ 10,5 bilhões, enquanto as importações avançaram 24,2%, para US$ 6,8 bilhões. Esse intercâmbio gerou um superávit comercial de US$ 3,7 bilhões com a China no mês. Nos primeiros cinco meses do ano, as exportações para a China somaram US$ 43,26 bilhões (+21,8%) e as importações US$ 30,76 bilhões (+4,1%), resultando em um superávit de US$ 15,5 bilhões. A participação chinesa na pauta exportadora brasileira passou de 32,1% para 32,9% no período.
Herlon Brandão também atribuiu ao conflito no Oriente Médio o forte avanço das exportações de combustíveis derivados de petróleo pela indústria de transformação. Segundo ele, os choques de oferta provocados pela guerra elevaram os preços internacionais e impulsionaram o valor exportado pelo Brasil. Em maio, as exportações de óleos combustíveis cresceram 75,2% em volume e 49,8% em valor. Contudo, as exportações de petróleo bruto registraram queda de 9,3% em valor e retração de 42,1% no volume embarcado em maio, em comparação com o mesmo mês do ano passado. O diretor do Mdic esclareceu que esse movimento é pontual e não está ligado ao imposto de exportação criado pelo governo para o produto. “O Brasil é muito competitivo. A questão do imposto de exportação não vai impactar a oferta brasileira para o exterior, ainda mais em um cenário de preços elevados. As empresas continuam produzindo petróleo e os investimentos seguem ocorrendo”, afirmou, citando a entrada em operação de uma nova plataforma de produção de petróleo em fevereiro deste ano como exemplo.
No geral, o Brasil acumulou um superávit comercial de US$ 32,662 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026, valor superior aos US$ 24,33 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O resultado foi impulsionado principalmente pelo aumento das exportações para a China e pelo desempenho robusto de produtos ligados ao setor de energia e commodities com cotação internacional.
Por Marcos Puntel