A universalização do saneamento básico, um pilar fundamental para a saúde pública e o desenvolvimento socioeconômico, tem marcado presença nos planos de governo dos candidatos aos executivos estaduais. Contudo, um estudo recente do Instituto Trata Brasil aponta que, apesar da relevância do tema na agenda eleitoral, a maioria das propostas carece de compromissos claros e metas definidas, sinalizando uma abordagem frequentemente superficial.
A análise, que avaliou os planos de 62 candidatos com chances reais de vitória nas eleições para os governos estaduais, revelou que 54 deles – o que representa impressionantes 87% do total – mencionam a questão do saneamento básico e a busca por sua universalização. Esse dado sugere um reconhecimento generalizado da importância do setor por parte dos políticos.
No entanto, a profundidade do engajamento com o tema se mostra drasticamente menor quando se analisam os compromissos com metas específicas e quantificáveis. Segundo o levantamento, apenas 26% dos planos de governo estudados contêm a explicitação de metas concretas para o avanço do saneamento. Isso significa que, enquanto a maioria promete atuar na área, apenas um quarto dos concorrentes ao cargo máximo dos estados demonstra uma estratégia delineada com objetivos claros, prazos e indicadores de desempenho.
A ausência de metas detalhadas levanta preocupações sobre a real capacidade de implementação e a efetividade das políticas públicas caso esses candidatos sejam eleitos. Um plano de governo que menciona a universalização sem estabelecer metas pode ser interpretado como um compromisso retórico, distante de uma agenda de ações factíveis e mensuráveis. A complexidade do saneamento, que envolve investimentos vultosos, infraestrutura de longo prazo e gestão integrada de água, esgoto e resíduos, exige um planejamento minucioso e um compromisso sólido com resultados.
O Instituto Trata Brasil, que congrega diversas entidades do setor, frequentemente destaca a urgência de investimentos e políticas eficazes para reverter o cenário atual do saneamento no país. A falta de compromisso com metas nos planos eleitorais sugere que o desafio de transformar a retórica em resultados concretos permanecerá significativo para as próximas administrações estaduais. Sem objetivos claros e monitoráveis, a promessa de universalização corre o risco de permanecer apenas no papel, sem impactar a vida de milhões de brasileiros que ainda não têm acesso a serviços básicos de água tratada, coleta e tratamento de esgoto.
Por Marcos Puntel
Fonte: https://agencianossa.com