A Comissão Europeia indicou que a carne bovina brasileira enfrentará um período de aproximadamente dois anos para retornar plenamente ao mercado da União Europeia. A projeção sublinha os desafios regulatórios e sanitários que o setor pecuário do Brasil precisa superar para reconquistar a confiança do bloco.

A morosidade no processo de reabertura do mercado europeu reflete a complexidade das exigências fitossanitárias e de rastreabilidade impostas pela UE, que se tornaram mais rigorosas após episódios passados de não conformidade. Segundo fontes da Comissão, o caminho de volta envolve uma série de auditorias rigorosas, inspeções em fazendas e frigoríficos, além da implementação e comprovação de sistemas de controle que garantam a segurança e a qualidade do produto desde a origem até o destino final.

Esse processo, que inclui desde a avaliação documental até vistorias presenciais e períodos de acompanhamento, demanda tempo considerável para ser concluído com a transparência e a segurança exigidas pelos padrões europeus. Para o Brasil, um dos maiores exportadores globais de carne bovina, a demora representa um obstáculo significativo na diversificação de seus mercados e na recuperação de um parceiro comercial de alto valor agregado.

O Ministério da Agricultura e Pecuária, juntamente com o setor produtivo, tem intensificado os esforços para adequar as cadeias produtivas às normativas europeias, visando acelerar, na medida do possível, essa reabilitação. A reabertura do mercado da UE não é apenas uma questão econômica, mas também de imagem para o agronegócio brasileiro, que busca consolidar sua reputação de fornecedor confiável e sustentável em nível global. As negociações e adaptações em curso são cruciais para que a carne brasileira possa, no horizonte de dois anos, ter novamente as portas abertas para os consumidores europeus.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br

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